Três grandes corporações se reuniram no cemitério Parque Nicteróy
01/09/2016 - 21h17 em Motociclista

Céu de chumbo

Quinta-feira, 01 de setembro de 2016.

O céu, que no dia anterior era azul brilhante, tornou-se chumbo. Lágrimas e chuva desceram durante a madrugada. O dia amanheceu triste. Era o prenúncio de uma tarde dolorosa.

Três grandes corporações se reuniram no cemitério Parque Nicteróy, em São Gonçalo, para prestarem as últimas homenagens ao irmão, companheiro, confrade, Ivanir Linhares Fernandes Filho, de 49 anos. Coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Maçom e motociclista do Moto Clube Bodes do Asfalto.

Morto a tiros, covardemente na manhã de 31 de agosto, na cidade de Maricá, o Coronel Linhares, como era conhecido vai deixar saudades.

A multidão que compareceu para a sua despedida, foi impactada por forte carga de emoção, digna de um herói, quando debaixo de pesadas nuvens cor de chumbo, numa tarde triste, porém incrivelmente tranquila, viram pela última vez, o corpo do irmão Ivanir Linhares, já envolvido no caixão, deixando a capela do cemitério.

A primeira homenagem começava ali.

Um grande corredor formado por dezenas de motocicletas, que no roncar nervoso de seus motores, acelerava os corações da procissão que o acompanhava, iniciando aquela que seria a última estrada, que fisicamente o irmão percorreria.

Na primeira curva dessa curta estrada de despedida, as motos foram substituídas por militares, que expressavam rigidamente, todo o respeito e profundo pesar pela perda de um de seus importantes homens. E prestando continência, homenageavam fervorosamente o corpo que passava, seguido por uma legião de parentes e amigos que o seguiam, a passos lentos, como quem tenta retardar o inevitável.

De repente ouviu-se um brado forte, que foi seguido por uma salva de tiros, fazendo estremecer chão e coração. Os militares faziam ali, a sua última e poderosa homenagem. Era a parte final da última estrada em que Ivanir Linhares percorreria aqui na terra. A julgar pela energia desprendida naquele último ato, podemos garantir que aquela estava sendo uma despedida verdadeiramente honrosa.

Terminado o trajeto, mas não o final das honrarias. Começava então a ritualística maçônica. Confrades liam de forma alternada, palavras de sabedoria e consolo, que lançadas ao ar, eram captadas por ouvidos atentos naquela multidão.

Mensagem passada. Era hora de mais um ritual. Um homem chamava por nomes, em voz alta. Que por sua vez, respondiam com a mesma firmeza com que eram mencionados.

A cada maçom chamado, ouvia-se de um ponto da multidão a palavra, “presente!”

Envolvidos pela multidão, os homens iam se apresentando. Hora o “presente”, vinha do meio, hora dos extremos daquela grande massa humana. Vozes respondiam da direita, depois da esquerda, de perto, de longe... Criou-se uma atmosfera, como se aquele fosse um mundo a parte e que os maçons estavam por todos os lados. Vigiando, honrando, protegendo seu irmão que partia...

Para cada nome chamado, ouvia-se: PRESENTE!

E foi assim, com dezenas e dezenas de nomes. Até que foi chamado o seguinte nome:

- IVANIR LINHARES FERNANDES FILHO...

Houve silêncio.

- IVANIR LINHARES FERNANDES FILHO...

O silencio foi interrompido por um irmão, que anunciava que aquele homem já não estava entre nós, mas sim no misterioso mundo da eternidade.

O caixão pôs-se a descer, lentamente. E mais uma vez o silêncio fúnebre era quebrado, por um toque de corneta. Um lamento musicado que fechava o ritual de honrarias, mais que merecidas pelo nosso irmão.

Pessoas simples, misturadas a gente importante como o secretário de segurança José Mariano Beltrame, acompanhado de grande parte da mais alta cúpula da Polícia Militar. Todos unidos por uma única causa, num local onde todos os homens se igualam.

Foi assim, a última cena, do filme real que contou a história de IVANIR LINHARES FERNANDES FILHO – Policial, Maçom, Motociclista... Um homem. Uma vida ceifada num ato covarde, mas que não há de ficar impune.

 

Edris Oliveira Vasconcellos 

Pres. M. G. Falcão Peregrino de São Gonçalo

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